ANÁLISE - Battle Scenes Online

Se tem algo inconveniente em virar adulto é a progressiva diminuição de tempo livre para dedicarmos aos nossos hobbies: são tantos afazeres e obrigações que aquele tempinho para reunir amigos e jogar umas partidas de Battle Scenes vai ficando cada vez mais raro. E foi pensando nisso que um habilidoso desenvolvedor e jogador de BS encontrou a ferramenta certa e resolveu (quase completamente) nossos problemas. Eu sou o Leandro “Leozão” e hoje gostaria de falar um pouco sobre minhas impressões acerca do Battle Scenes Online, ou, mais precisamente falando, o MOD de BS para o Tabletop Simulator.






Desde que me iniciei no BS, no lançamento da Iniciativa Vingadores, meu maior problema sempre foi a falta de tempo para jogar. Inicialmente me reunia com amigos semanalmente no QG da Marvel Store, depois os encontros ficaram quinzenais e agora ocasionais. Atualmente passo mais tempo organizando a coleção e montando decks que nunca jogarão do que efetivamente jogando. Há algum tempo, descobri que algumas pessoas já conseguiam fazer partidas online com uma ferramenta chamada Cockatrice, porém me bastou assistir a um vídeo da complicada jogabilidade para desistir.

Há alguns dias, acompanhando minhas comunidades de BS no Facebook, me deparei com um vídeo que parecia promissor: alguém tinha conseguido levar o BS e sua complexa mecânica para um emulador bastante sofisticado e funcional, o Tabletop Simulator. Para quem, assim como eu, nunca ouviu falar nisso, vai um resumo: o Tabletop Simulator é um jogo do tipo sandbox que permite aos jogadores criarem ou simularem praticamente qualquer jogo real. O game utiliza uma bela engine capaz de recriar uma física convincente e belos gráficos com tabuleiros, marcadores, dados e, claro, cartas! Para se ter uma ideia do potencial dessa ferramenta, conseguiram levar até o badalado Zombicide para a tela do PC!





É claro que resolvi testar! Adquiri o game por modestos 36,99 Temers (disponível no Steam) e logo baixei a DLC via Steam Workshop (tudo muito simples, confira o vídeo tutorial no final da matéria) e parti para a jogatina. No primeiro loading, meu jogo retornou um erro e não carregou as deckboxes com as cartas. Desinstalei, apaguei os arquivos do PC, instalei novamente e, batata: mesmo erro. Parti para os fóruns oficiais em busca de respostas, gastando todo meu inglês. Nada. Então voltei ao Facebook e procurei ajuda na página do desenvolvedor. Para minha surpresa, tanto o desenvolvedor/idealizador (Tilber) quanto o divulgador (Ricardo) prontamente me adicionaram no Whatsapp e logo passaram a procurar a solução.

No dia seguinte, numa intensa troca de mensagens com os dois, que pareciam mais determinados a resolver o problema que eu próprio, recebi a notícia que havia um patch de correção especificamente para meu problema. Assim que cheguei em casa, abri o jogo e lá estava uma bela mesa com todos os cards, playmat oficial, dados, marcadores e tudo que precisava para montar meus decks e jogar.





Inicialmente a interface intimida. Você se sente um troll tentando manipular as delicadas cartinhas e peças com o mouse. Entretanto a curva de aprendizado é tranquila: clique e arraste rapidamente para pegar uma carta, um clique longo levanta a pilha de cartas, “F” vira a carta enquanto “Q” e “E” giram 90º para as tradicionais capacitações e incapacitações, respectivamente. 

Além disso, logo na primeira partida você começa a sentir a mão de um desenvolvedor que já jogou muito BS. Tem a área da “mão”, na qual só você pode ver as cartas e outra para manipular cards longe dos olhos do adversário, para a tradicional investigação. Tolkens que marcam descarte do turno e capacitação gratuita para ninguém se perder, área de prêmios com contadores de cartas e pontuação e até mesmo um curioso dispositivo chamado de “O Carregador” que serve para alinhar as cartas e “montar” seus personagens automaticamente, bastando para isso empilhar os recursos com o card desejado no topo e soltar a pilha sobre o mágico objeto. Os cards dançam na sua frente e deitam na mesa perfeitamente alinhados. Depois de algumas partidas, você já começa a querer um desses na vida real cada vez que tem de montar um Eson naquela mesinha de boteco.





Esqueceu o texto do card? Basta dar zoom de qualquer ângulo na mesa para simular aquela olhada de perto ou, simplesmente, segurar a tecla ALT enquanto passa o ponteiro sobre o card desejado que a imagem dele salta bem no meio da sua cara. Ainda sobre a jogabilidade, o que mais me intrigava antes de experimentar efetivamente, era como os jogadores anunciariam os turnos, ações, alvos e efeitos durante a jogatina. Sem problemas, para isso o Tabletop conta com um sistema de chat por voz integrado. Basta você plugar seu headset e segurar “C” enquanto anuncia o Formigão acabando com a investigação do adversário (e com a amizade). Não tem um headset? Sem problemas, o Tilber também criou uma área no centro da mesa com as etapas do jogo e marcadores para partidas mais silenciosas. Testei sem o headset e funcionou tranquilamente, inclusive com o recurso de apertar TAB sobre uma ou mais cartas para aparecerem setinhas saltitantes anunciando as ações, alvos e os cards a serem descarregados.





Obviamente nem tudo são flores. O jogo está em processo de desenvolvimento por apenas uma pessoa que também não tem todo o tempo do mundo. Como o game está rodando dentro de uma sandbox, estão lá todos os menus e botões de desenvolvedor que podem deletar objetos do cenário ou ocasionar modificações indesejadas se forem clicados acidentalmente (Não aperte o Flip Table durante a partida!). Bugs podem ocorrer, algumas cartas não estão na melhor das definições, mas pelo que acompanhei, tudo tende a ficar cada vez mais organizado e funcional.

Existem também as questões de copyright. Conversando com o desenvolvedor fica claro que ele não tem nenhum interesse em lucrar com sua criação e até mesmo um dos desenvolvedores do Battle Scenes já curtiu a página do game no Facebook e está experimentando o jogo. Espero sinceramente que a Copag saiba lidar com isso caso o jogo faça o merecido sucesso e, no melhor cenário, incentive e contribua com seu desenvolvimento, reconhecendo que ele só tende a acrescentar para a crescente comunidade de jogadores de BS que poderão finalmente sair do metagame regional e testar seus decks com jogadores de todos os cantos do Brasil (quiçá do mundo!), de preferência antes do Battle Royal!

Leandro "Leozão"
usuário Steam: unnamed128


Links:
Comunidade no Facebook: https://www.facebook.com/marvelbsonline

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas